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30 Janeiro 2026

Mercado de Capitais Angolano: Negociação na BODIVA em 2025

O mercado de capitais angolano registou desenvolvimentos mistos, mas significativos, em 2025, impulsionados pela combinação de negociação de títulos do tesouro e por um IPO emblemático no âmbito do programa de privatizações do Governo Angolano. O total negociado na BODIVA ascendeu a AKZ 5.726.467 milhões, representando uma redução de 5,4% face a 2024, equivalente a USD 6.279 milhões. A actividade de negociação manteve-se fortemente concentrada em instrumentos do Estado, em especial em títulos do Tesouro e operações de recompra (repos), tanto no mercado de bolsa como no mercado OTC. O volume total de transacções correspondeu a 4,8% do PIB, evidenciando a ainda limitada profundidade do mercado financeiro angolano.

No mercado de registo de operações de valores mobiliários, a negociação recuperou de forma significativa, com o valor total a subir 62,1%, para AKZ 1.581.819 milhões (USD 1.734 milhões). As obrigações do tesouro representaram 96,9% das transacções, enquanto o número de instrumentos negociados aumentou quase sete vezes, atingindo 690.946.851 unidades, reflectindo uma emissão mais elevada e maior participação dos investidores. Os dados mensais indicam que a actividade esteve concentrada em julho, que representou 23,7% do valor anual e 41,5% dos instrumentos negociados, sublinhando a natureza episódica da liquidez neste segmento.

O mercado de Repos manteve-se dominado pelas obrigações do tesouro em 2025, que representaram 98,4% das transacções totais. O valor total negociado atingiu AKZ 3.032.499 milhões (USD 3.325 milhões), uma redução anual de 30,5%, enquanto o volume de transacções quase duplicou. A actividade concentrou-se no primeiro e quarto trimestres, com janeiro, novembro e dezembro a registarem os maiores valores negociados, e janeiro e dezembro com os maiores volumes. Quase 58% da negociação ocorreu na segunda metade do ano, reflectindo o carácter episódico e altamente sazonal da liquidez neste mercado.

A negociação de títulos do tesouro na bolsa angolana também recuperou, atingindo AKZ 1.026.338 milhões (USD 1.125 milhões), uma subida de 43,7% face ao ano anterior. A recuperação foi impulsionada pelo aumento de 71,9% nas obrigações do tesouro, que mais do que compensou a queda de 92,7% nos bilhetes do tesouro. A actividade foi mais intensa no terceiro e quarto trimestres, com setembro a destacar-se como o mês com os maiores volumes de instrumentos transaccionados.

O mercado de dívida privada manteve-se extremamente limitado, com um total de apenas AKZ 639 milhões (USD 701 mil) negociados, reflectindo uma recuperação modesta de 12,6% face a 2024. As transacções concentraram-se exclusivamente nos títulos da Sonangol 2023–28, uma vez que os títulos do Standard Bank de Angola não foram negociados. A negociação atingiu o pico no segundo trimestre, evidenciando a natureza esporádica da actividade neste segmento.

A evolução do mercado accionista ficou marcada pelo IPO do BFA, em setembro de 2025, que incluiu a venda de 29,75% das acções do banco no âmbito do PROPRIV. Este IPO aumentou significativamente tanto o valor como o volume negociado na bolsa, com o total de transacções a subir para AKZ 83.649 milhões (USD 91,7 milhões), sendo que mais de 95% ocorreram no quarto trimestre. O número total de acções negociadas nas cinco empresas cotadas atingiu 982.304, um aumento de cinco vezes face a 2024, com a BFA a representar 64% do volume e 88,6% do valor negociado. Outras empresas cotadas, incluindo BCGA, BAI, ENSA e BODIVA, registaram um forte crescimento anual, embora em conjunto representassem apenas cerca de 12% do valor total negociado. Outubro destacou-se como o mês mais activo, com 46,3% das acções anuais transaccionadas, evidenciando o impacto das grandes transacções impulsionadas por privatizações na liquidez do mercado.