A proposta do OGE 2027 totaliza AKZ 37.337 mil milhões e tem como meta um défice orçamental de –4,1% do PIB e um excedente primário de 0,5%, com as receitas a representarem 13,3% do PIB e as despesas 17,4%. Trata-se apenas de uma ligeira melhoria face ao défice de –4,5% agora previsto para 2026, ano em que os ganhos do petróleo foram mais do que absorvidos pelo forte aumento dos subsídios aos combustíveis, dos bens e serviços e dos juros. O orçamento assume um preço prudente do petróleo de US$71/bbl e uma produção de crude em queda para 1,0 mbd, pelo que as receitas petrolíferas deverão voltar a ficar abaixo de 50% das receitas totais. Por sua vez, os juros passam a ser a principal rubrica da despesa, absorvendo 34,3% das receitas (25,4% em 2026). O Governo prevê um crescimento do PIB de 5,5% em 2027, sustentado integralmente pelo sector não petrolífero (+7,2%), bem acima do consenso de 3,3% do FMI, Banco Mundial e BAD, com a inflação a abrandar para 7,3%. A nossa análise de sensibilidade aponta para um défice entre –2,3% e –6,0% do PIB, consoante os preços e a produção de petróleo. Com o custo dos subsídios, a despesa de ano eleitoral e a subida dos encargos com juros a pesarem sobre as finanças públicas, a retoma da reforma dos subsídios aos combustíveis e o alargamento da base tributária não petrolífera continuam a ser fundamentais.